Corri com os HUAWEI FreeClip 2 como corro sempre, na rua, com o mundo a acontecer à minha volta. Carros, bicicletas, gente a atravessar sem olhar e aquele barulho típico de cidade que tanto irrita como, às vezes, nos salva. E foi aqui que estes earbuds fizeram sentido para mim logo de início: não me tiraram do mundo. Eu ia com música, mas continuava a ouvir a rua, continuava atento, continuava presente. Para quem corre fora de pista, isto não é detalhe, é segurança.
A Huawei reforça a aposta no áudio aberto com esta nova geração dos FreeClip, feita para quem vive em movimento e não quer desligar-se do que está à volta. E nota-se que não foi só “mais do mesmo”, há melhorias claras no conforto, no design, na autonomia e na forma como o som se comporta, uma evolução consistente face ao modelo anterior.

A primeira vez que os metes na orelha é estranha, não vou fingir que não. Isto não entra no ouvido, não tem aquela borracha enfiada no canal. É um clip que agarra no lóbulo. Uma parte fica atrás da orelha, a outra fica ali perto do canal auditivo, sem invadir nada. Ao início andei a acertar a posição, dois segundos aqui, dois segundos ali, até apanhar o ponto certo. Quando encaixa bem, fica mesmo confortável e o mais engraçado é que são tão leves que, passado uns minutos, dás por ti a pensar: espera lá, ainda os tenho? Cada earbud pesa à volta de 5,1 gramas. Isso nota-se, ou melhor, não se nota.
O design mantém a identidade da primeira geração, mas agora está mais compacto e refinado. A caixa ficou mais pequena, mais prática para andar no bolso sem parecer que levas um tijolo extra na vida. E isso é o tipo de melhoria que não dá likes, mas dá uso real, todos os dias.
No treino, portaram-se bem. Corrida fácil, umas acelerações, mudanças de direção, subir e descer passeios, aquela vida normal de quem corre e não vive numa passadeira de ginásio com ar condicionado. Não senti que estivessem sempre a querer fugir. Claro que isto depende das orelhas de cada um. Há ouvidos que vão amar à primeira e outros que vão exigir mais paciência para acertar o encaixe. Mas, no meu caso, quando ficou bem colocado, foi aquela sensação rara de “ok, posso esquecer isto e só correr”. E a Huawei também mexeu no formato para se adaptar melhor a diferentes orelhas e reduzir a fadiga em utilizações longas, o que bate certo com aquilo que senti.

E depois vem a parte do som, que era onde eu estava mais desconfiado, porque open-ear costuma ser sinónimo de conforto e, muitas vezes, de som fraquinho. Aqui, não. Eles têm drivers de 10,8 mm com dupla membrana e, para um modelo aberto, achei o som surpreendentemente composto. Não é som de in-ear fechado, não há aquele subgrave que te abana o cérebro, porque o ouvido está aberto e o som respira. Mas tens graves com presença, tens vozes claras, tens detalhe suficiente para música e para podcasts sem parecer rádio de cozinha. Agora, verdade simples: o som varia com a posição. Se não estiverem bem alinhados, os graves desaparecem primeiro. Por isso, antes de começares a correr, vale a pena aquele micro ajuste. É como apertar os atacadores, é um gesto pequeno que muda tudo.
Aqui entra outra ideia gira desta geração: o sistema de som adaptativo, que ajusta volume e resposta acústica ao ambiente. Em sítios mais silenciosos, o som fica mais natural. Em ambientes urbanos ou barulhentos, reforça a clareza, especialmente nas vozes. Não é magia, é engenharia a tentar acompanhar a confusão do mundo real, e eu respeito isso.
O que eu gostei mesmo foi esta liberdade. Levo música comigo, mas continuo a ouvir passos atrás, uma bicicleta a aproximar-se, um carro a travar, alguém a chamar. É aquele equilíbrio que, para corrida na rua, faz sentido. E sim, isto tem um “preço” que faz parte do conceito: não há cancelamento de ruído. Não é para quem quer ficar numa bolha, nem para quem quer meter isto num avião e fingir que o mundo não existe. Para correr, e para o dia a dia em que precisas de estar atento, é exatamente o contrário. É para ouvires o suficiente do mundo e não te meteres em sarilhos.
Também me deixou descansado em treinos com suor e dias mais húmidos. Os earbuds têm certificação IP57, portanto não é um drama se apanhas chuva ou se sais do treino a parecer que mergulhaste. Só um detalhe importante, a caixa não tem essa proteção, portanto nada de a deixar a apanhar banho como se fosse mais um atleta. E a durabilidade também foi levada a sério, a marca fala em dezenas de milhares de testes de resistência para simular anos de uso intensivo, aquele “não partas isto em três meses, obrigado”.
A bateria é daquelas que te tira um peso: até 9 horas só nos earbuds e até 38 horas com a caixa. Na prática, dá para vários treinos e dias de uso sem estares sempre à caça de um cabo. Tens ainda carregamento sem fios, aquele mimo moderno que dá jeito quando a vida anda a correr, literalmente. E o carregamento rápido ajuda, porque 10 minutos na caixa e já tens horas para safar o dia, que é basicamente a definição de “vida real”.
Nas funcionalidades do dia a dia, há coisas mesmo úteis e nada de palha. Multipoint para ligares a dois dispositivos, a app para afinar o som e mexer no equalizador, e detalhes inteligentes como sensores que detectam automaticamente se o auricular está na esquerda ou na direita, sem dramas. Os controlos por gestos também ajudam a mexer em chamadas e música sem estares sempre a sacar do telemóvel.
E nas chamadas, a Huawei reforçou o lado “isto não é só para música”. Cada auricular traz três microfones e tecnologia de condução óssea para melhorar a captação de voz, com algoritmos a cortar ruído ambiente para a conversa não parecer uma chamada feita dentro de um aspirador.
No fim, a minha experiência a correr com os FreeClip 2 foi isto: conforto, estabilidade, som mais do que decente para open-ear e, acima de tudo, segurança e consciência do que se passa à minha volta. Eu não senti que estivesse a correr desligado. Senti que estava a correr com banda sonora, mas com os pés bem assentes na realidade. E na rua, a realidade continua a ser a melhor tecnologia de sobrevivência que existe.




