Vigilância médica, continua a ser indispensável

Correr está mais popular do que nunca. Em 2026, há provas quase todos os fins de semana, desafios virtuais, relógios que medem tudo, planos de treino em apps, e até a pressão social do “vá, inscreve-te também”. E isso é bom, é vida, é comunidade. Mas há uma verdade antiga, daquelas que não envelhecem, por mais tecnologia que metas no pulso: a segurança não é um extra, é a base.

Apesar dos avanços na medicina desportiva, na organização das provas e na rapidez de resposta das equipas no terreno, continuam a acontecer situações graves. Não é para assustar ninguém, é para pôr as coisas no sítio. O corpo aguenta muito, sim, mas quando dá sinal, convém ouvir, e quando não dá sinal nenhum, convém prevenir.

A segurança começa antes do dorsal

A maior parte dos problemas sérios não aparece “do nada”. Muitas vezes há pistas, pequenas, discretas, chatas: cansaço fora do normal, tonturas, dor no peito, falta de ar que não bate certo com o esforço, palpitações estranhas, recuperação lenta, sensação de “qualquer coisa não está bem”. E o clássico, que a malta adora ignorar: “isto passa”.

Em 2026 temos mais informação do que nunca, mas isso não substitui o essencial: avaliação médica regular.

Check-up não é luxo, é manutenção

O mínimo dos mínimos para quem treina com regularidade, faz provas, ou está a aumentar carga e intensidade é fazer um check-up anual, com atenção especial à parte cardiovascular. Se tens mais idade, se estiveste parado muito tempo, se tens excesso de peso, se tens histórico familiar de problemas cardíacos, se já tiveste tensão alta, colesterol descontrolado, ou outros fatores de risco, então isto deixa de ser “recomendável” e passa a ser “não inventes”.

E não, o relógio não te dá alta médica. Ele ajuda, dá sinais, regista tendências, é top. Mas não faz diagnóstico. O smartwatch é tipo amigo atento, não é cardiologista.

Treinar bem também é prevenção

Outro ponto que em 2026 continua igualzinho a 1996: treinar com cabeça salva mais do que treinar com ego. Subir volume de repente, inventar ritmos heroicos, correr doente, competir lesionado, dormir mal e compensar com “garra”… isso é a receita do desastre. Não só para lesões, mas também para sobrecarga do organismo.

Um treinador ou acompanhamento estruturado pode fazer diferença, porque define limites, ajusta intensidades, e evita a clássica armadilha: “estou motivado, logo estou pronto”.

Em prova, segurança também é responsabilidade do corredor

As organizações hoje têm mais meios: equipas médicas, ambulâncias, desfibrilhadores, comunicação mais rápida. Boa. Mas o corredor tem de fazer a parte dele:

  • respeitar sinais do corpo

  • não esconder sintomas por vergonha

  • não “aguentar até ao fim” quando algo não está normal

  • hidratar e alimentar com estratégia, não à sorte

  • não testar coisas novas no dia da prova, tipo gel misterioso, sapatilha estreada, ou “hoje vou correr sem dormir, na boa”

Correr para durar

A corrida é das coisas mais bonitas que temos, porque dá liberdade e limpa a cabeça. O objetivo não é só fazer uma prova, é poder correr durante muitos anos, com prazer e segurança.

Em 2026, com tanta coisa moderna à volta, a regra continua a ser das antigas: o teu corpo é a tua casa, faz manutenção antes de aparecerem rachadelas. O primeiro treino de qualquer atleta, seja de que idade for, começa com responsabilidade. E isso é uma escolha inteligente, não é medo.