Alexandra Conceição é um exemplo inspirador para quem ama o mundo da corrida. Começou a correr ainda em miúda, mas, como ela mesma diz, parou aos 14 anos por ter entrado na fase da “idade da parvoeira”, onde correr deixou de ser a sua cena. O regresso aconteceu anos depois, em 2013, num momento de grandes mudanças na sua vida. Ficou desempregada e decidiu deixar de fumar, encontrando na corrida uma forma de se reencontrar e desafiar. No entanto, o desporto nunca esteve realmente ausente do seu percurso, já que sempre manteve ligação com atividades como o ginásio e o Karaté.

Quando questionada sobre o tipo de corrida que prefere, Alexandra é categórica: a estrada é a sua escolha favorita, especialmente na distância dos 10 km. Apesar de já ter experimentado trail, admite que não foi algo que a cativou. Para ela, a simplicidade e a fluidez do asfalto são imbatíveis. E, falando em objetivos, a sua corrida de sonho seria em Nova York. O motivo é especial: para além de ser um destino icónico no universo das maratonas, seria a oportunidade perfeita para juntar o útil ao agradável, uma vez que a sua filha vive lá.
Entre tantas provas que já participou, destaca o GP Natal como a mais marcante. Esta corrida tem um significado especial, pois foi a sua primeira prova em 2017, após o regresso ao atletismo com maior seriedade. É uma memória que continua a inspirá-la e a motivá-la a cada passo.
Como qualquer corredor, Alexandra também tem as suas referências no desporto. Rosa Mota é o seu maior exemplo, tanto pelos feitos impressionantes alcançados na juventude como pela forma como continua a ser uma inspiração para todos, mostrando que a idade não é um limite quando existe paixão e dedicação.
Fazer parte de um grupo de corrida também tem um papel importante no percurso de Alexandra. Ela é membro do Núcleo de Atletismo da Zona de Abóboda (NAZA) e destaca a importância de pertencer a uma equipa. Para ela, o grupo não é apenas uma fonte de motivação, mas também uma forma de criar compromisso com os objetivos coletivos e pessoais. É no espírito de equipa que encontra forças para superar desafios e não falhar nos treinos e provas.

Outro ponto interessante na sua história é a forma como a paixão pela corrida se cruza com a vida pessoal. Alexandra partilha esta paixão com a pessoa com quem divide a vida, o que, segundo ela, não tem preço. Ambos têm os mesmos objetivos, tanto no desporto como na família, e conseguem aproveitar o tempo juntos, seja em treinos ou provas. Além disso, existe uma compreensão mútua pelas horas dedicadas à preparação física, algo que muitas vezes pode gerar conflitos em relações onde esta paixão não é partilhada.
Alexandra segue um plano de treinos específico, adaptado aos seus objetivos. Atualmente, está focada em provas de 10 km e dedica-se a treinos de séries, técnica e corrida contínua longa. Para ela, ter um plano bem estruturado é essencial para alcançar bons resultados sem cair em frustrações ou lesões.

Por fim, deixa um conselho valioso para quem está a dar os primeiros passos no mundo da corrida: “Não tenham pressa de alcançar um patamar elevado, porque um bom atleta não se constrói em 1 ou 2 anos. A pressa leva à frustração e às lesões. Ouçam o vosso corpo, e tudo fluirá naturalmente.”
As palavras de Alexandra são uma inspiração para quem começa ou para quem já corre há anos. A sua história prova que a corrida não é apenas um desporto, mas também uma forma de superar desafios, criar ligações e viver com mais intensidade.




