Vigilância médica continua a ser imprescindível

Nos últimos anos, infelizmente, continuam a registar-se casos graves em provas de estrada, meias maratonas e maratonas, um pouco por todo o mundo. Situações de colapso durante a prova ou logo após a meta, muitas vezes em atletas amadores, lembram-nos de uma verdade simples e dura: correr é saudável, mas não é inofensivo quando ignoramos os sinais do corpo.

Nos últimos anos, com o crescimento explosivo das provas populares, mais participantes, mais desafios pessoais e mais pressão para “ir além”, há um factor que não pode ser tratado como acessório: a segurança. E essa segurança começa muito antes do tiro de partida. Começa no próprio corredor.

A vigilância médica regular deve fazer parte da rotina de qualquer praticante, independentemente da idade ou do nível competitivo. Um acompanhamento médico periódico, pelo menos anual, com especial atenção ao sistema cardiovascular e à resposta do coração ao esforço, não é luxo, é responsabilidade.

Os exames médicos devem ser encarados como o primeiro treino de qualquer atleta. Tornam-se ainda mais importantes com o avançar da idade, após períodos longos de sedentarismo, em situações de excesso de peso ou quando existem antecedentes clínicos relevantes. Nenhum plano de treinos substitui um eletrocardiograma bem interpretado ou um teste de esforço feito a tempo.

Hoje temos relógios inteligentes, métricas de VO₂ máx, variabilidade da frequência cardíaca, alertas de fadiga e sono. Tudo isso ajuda, mas não decide. A tecnologia apoia, não diagnostica. Continua a ser o médico quem fecha o círculo da segurança.

O acompanhamento por um treinador qualificado também desempenha um papel fundamental, sobretudo na gestão do esforço máximo, na progressão de cargas e na leitura dos sinais de alerta que muitos corredores insistem em ignorar. Treinar bem é saber quando acelerar… e quando parar.

A vigilância médica não tira prazer à corrida, faz exatamente o contrário. Permite treinar com confiança, alinhar na linha de partida com a cabeça tranquila e cruzar a meta com saúde. Em 2026, correr bem continua a ser importante. Correr com segurança é obrigatório.

Correr é para durar. O resto é vaidade de curta distância.